Em conversa com uma amiga recentemente, falávamos de como a Comunicação Social pode influenciar a baixa auto-estima dos portugueses (o facto de ser licenciada em Comunicação Social só me faz ter mais certeza do que digo). É impressionante a forma como todos os meios de comunicação social conseguem deitar-nos a baixo, a nós e ao nosso ego, ao nosso orgulho de sermos portugueses. Não quero com isto dizer que acho que o país em que vivo é perfeito, bem longe disso, mas que o país é bem melhor do que o pintamos, isso é sem duvida.
Irrita-me que as estatisticas em que Portugal aparece nos ultimos lugares façam manchetes ou abram telejornais com noticias e reportagens que duram vários minutos, e que depois aquelas em que nos localizamos nos lugares cimeiros apareçam talvez a meio ou até no fim quase como nota de reportagem, e muitas vezes nem sequer são referenciadas.
Não penso obviamente que as pessoas devam ouvir só coisas bonitas e que nos façam pensar que vivemos num país cor de rosa. Temos que ter consciencia do lugar onde vivemos, mas isso dá para os dois lados.
Nós somos bons, temos coisas boas, e temos um país belissimo com uma história magnifica que nos cabe a nós perpetuar com mais coisas boas. Continuamos a ser um dos países do mundo mais procurados por turistas estrangeiros. Se os outros vêm conhecer e passar ferias em Portugal, talvez não sejamos assim tão maus, e não me venham com a treta de que vêm porque somos pobrezinhos, porque para vêr pobrezinhos iam para a Etiópia, que estará decerto mais bem apetrechada que nós nesse campo.
Isto leva-me a crêr que o sr. Salazar (sr com letras pequeninas porque eu não o considero um grande português mas sim um português mediocre) é que tinha razão com o seu "orgulhosamente sós". Não o digo no sentido isolante da questão, digo-o no sentido do orgulho, não precisamos dos outros para sermos felizes, se tivermos vontade e acima de tudo orgulho no que somos e no que fazemos seremos decerto melhores.
Não somos os melhores mas continuamos a fazer parte dos melhores, o nosso pensamento terceiro mundista não nos leva a lado nenhum, o ideal seria que todos nós fossemos passar uns meses a África, ou a uma favela do Brasil, estou certa que quando voltássemos iriamos gostar muito mais do país em que vivemos e acima de tudo ter mais orgulho em nós proprios.
Fomos no passado donos do mar, detivemos um império ultramarino (não digo que devessemos continuar a ter mesmo tendo nascido em 1985 sou totalmente contra as guerras do ultramar, essas sim só nos tornaram mais pobres), fomos os criadores de uma das línguas mais belas e mais faladas em todo o mundo.
O problema é que continuamos todos à espera que D. Sebastião volte numa manhã de nevoeiro que nunca mais chega. Entretanto vamo-nos afundando em lamentos que nunca mais acabam.
Talvez seja agora uma boa altura para acordar e fazer alguma coisa, primeiro por nós e depois pelo fantástico país em que vivemos.
Pronto desabafei (não quer é dizer que eu vá fazer alguma coisa importante para este país)
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